Como é o Suíço?

Quem sou eu para rotular? Mas, por uma boa causa, lá vou eu: vejo os Suíços como amigos apegados, geralmente ingênuos, extremamente respeitadores, muito práticos e essencialmente profundos.

O fato da Suíça ser um país onde ¼ da população é estrangeira faz com que aproximações e despedidas ocorram frequentemente. Me explico: alguns vêm para cá, vivem dois, três anos e partem, deixando para trás suíços saudosos. Especulo que, para se proteger da inevitável ruptura, o Suíço evita misturar-se com os estrangeiros, ficando só entre os Suíços, para não quebrar o coração. Para chegar neles é necessário quebrar o gelo, conquistar o respeito e a credibilidade. Aí então eles estendem as mãos, os braços, o corpo todo, para o que der e vier. Já passei uns perrengues por aqui e foi com amigos suíços que encontrei carinho, ajuda e solução. Eles se entregam e te acolhem acreditando em você.

Em um país onde quase tudo funciona, as leis são respeitadas e as regras são claras, não é necessário ter jogo de cintura. O suíço confia de cara, acredita em tudo, quase não é malicioso, daí eu pensar que eles têm uma ingenuidade genuína. De maneira geral as regras são claras por aqui mas sempre se pode negociar, encontrar uma saída legal. Os Suíços são flexíveis, comparados com a inflexibilidade do sistema. Porém, quando traídos, ficam desapontados e retiram todo e qualquer crédito dado.

Respeito é a palavra de ordem na Suíça. Tudo é feito para preservar o espaço do próximo: falar baixo e não fazer barulhos, manter tudo limpo e organizado, ser formal, escrever ao invés de ligar, programar tudo com antecedência. Eles vão até onde começa a liberdade do próximo, invasões por aqui não acontecem... mas se você desrespeitar, sem pena e nem aviso, o Suíço pega o telefone e chama a polícia. Simples assim!

É muito difícil tentar explicar os dramas que vivemos para os Suíços. Vivo isso diariamente com o meu. Chega a ser engraçado como a ótica deles é diferente da nossa: são práticos, simples, não tem floração. Muitas vezes conto os rolos familiares e ele não entende o problema, muito menos os impasses... com uma simplicidade assustadora sugere soluções para problemas que estão há mais de décadas para serem resolvidos: “Não estou acompanhando, não seria mais fácil só fazer assim?”. Pois é, até seria, mas vai tentar simplificar um coração latino!

A maior diferença que eu encontro entre o Brasileiro e o Suíço é a profundidade. O Suíço não emite opinião sem pensar antes. Não reage por impulso, reflete antes de falar. Não se compromete levianamente. Se diz que ama é porque ama mesmo. Se não gosta, tem motivo ou fatos para não gostar. Em conversas sobre votação – aqui se vota para tudo, tudo mesmo! – já ouvi “Não estudei ainda este assunto”. Ops! Que bom seria se todos estudassem candidatos e propostas (e depois cobrassem as promessas) antes de votar no meu país.

Tem gente que acha que eles são chatos, por serem muito organizados, até previsíveis... pode ser até que sim, mas eu adoro... e me faz muito bem entender em qual chão estou pisando.

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