O Vinho Perfeito


Ainda considerado como um produto de luxo, e não um complemento à alimentação como em vários países europeus, assistimos um aumento gradual do consumo de vinho no Brasil, principalmente entre as classes média e alta. O brasileiro incorporou o vinho em seus programas e entender de vinho passou então a ser uma obrigação.

Chique é provar o vinho seguindo o ritual de agitá-lo, dar uma paradinha, olhar com carinho, sentir o buquet para então finalmente experimentá-lo. Após um silêncio de alguns segundos para reflexão, momento de expectativa para os garçons, faz-se então uma cara de quem entende do assunto e comenta-se algo, geralmente evasivo. Com um sorriso aliviado, o vinho é então servido pelo garçom.Eu adoro este ritual mas assistir pode ser engraçado pois alguns sabem bem o que estão fazendo, outros, simplesmente seguem o fluxo!

O que está por trás deste produto tão sedutor?

Para mim, é a combinação de três indicadores: As Propriedades básicas do vinho: como tipo de uva, assemblagem, região produtora, teor alcoólico, modo de engarrafamento, safra, etc... Os fatores externos: como armazenagem, agitação, temperatura de consumo, pratos que acompanham, etc.... E o consumidor: que tem gostos específicos, memórias gastronômicas e ligações emocionais.

Enfim, a experiência de cada garrafa depende da combinação destes três indicadores, suportando o clichê “cada garrafa traz uma experiência única”, e pode ser apreciada usando os cinco sentidos, as vezes o sexto também!

E qual é o vinho perfeito? Para mim o que fala bem alto é o consumidor.

Aqui na Europa a oferta de vinhos é indescritível, além dos custos serem muito menores que no Brasil, podemos escolher vinhos maravilhosos em supermercados, vendinhas e até em lojas especializadas, encontrando ofertas de sei lá quantos países diferentes. Mas, confesso que já me vi pagando caro por um determinado Malbec Argentino... o mesmo que escolhi há 12 anos para ser servido no aniversário do meu pai. E esse vinho foi um néctar para mim, com ele revivi experiências deliciosas.

Para vinho, não existe regra, não existe certo ou errado. É gosto, é experiência, é interesse, é curiosidade, é atenção.

Eu adoro vinho, bebo diariamente. Nada boba, me adaptei fácil e rápido a este delicioso costume europeu! Consigo sentir minhas preferencias e fazer conexões entre minhas experiências. Diferencio e descarto os vinhos banais. Sinto quando um vinho não “está” bom, o que é diferente de quando ele não “é” bom.

O conhecimento veio com o tempo, com a curiosidade, com a exploração de muitas garrafas. Mas com o tempo veio também o respeito: não me meto a abrir garrafas muito mais caras que meu conhecimento. Acho um desperdiço, um desrespeito!

É um pouco como arte, gosto de Picasso e evito Dalí. Os dois são bons, têm seus méritos mas não agradam a todos. Ainda bem!

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