Vinho, raclette e muitas videiras: Marche des Cépages


Quando se pensa no Cantão do Valais (pronuncia-se Valé) , se pensa em montanhas e em vinhos. E não poderia ser diferente, é no Valais que estão algumas das montanhas mais famosas da Suíça para esquiar, como Verbier, Crans-Montana e Villars, e é também lá que é produzido 40% do vinho nacional daqui. Talvez seja lá o cantão de maior consumo de vinho da Suíça, mas ai estou chutando...

O Valais é um cantão rural também conhecido pela tradição e pelo talento em organizar festas regionais. O Valaisan sabe festejar, se veste a caráter, ensaia e vai para as ruas sempre que pode. E eu, que não sou boba nem nada, não perco as festas de lá.

Final de semana passado aconteceu a Marche des Cépages, que seria mais ou menos traduzido como “Caminhada nas variedades das uvas”. Festa de vinho, claro!

Todo segundo sábado de Setembro, um pouquinho antes da colheita das uvas, acontece esta festa por lá. Mas este ano foi ainda mais especial, celebravam os 25 anos da festa.

A festa para nós começou alguns dias antes, combinando entre amigos a logística para irmos juntos. Telefonemas, monitoramento do clima e muita expectativa! E finalmente, previsão de sol, bravo!

O segredo é ir de trem. Invariavelmente se toma mais vinho que o limite permitido para se dirigir.

Saímos em quatro pessoas de St Prex as 7:12 da manhã calculando chegar cedo para fugir da mutidão. Ninguém merece acordar tão cedo no sábado mas encaramos. Paramos em Morges para trocar de trem e tomar um café, tentativa de despertar. De lá seguimos no trem direto para Sierre, com direito a parada em Vevey, onde subiram outros quatro amigos.

No trem o clima já é de festa. A controladora percebeu que estávamos juntos e quis saber mais da festa. Em troca mencionou uma outra festa parecida, que acontece em Geneva. Aqui nesta época é festa atrás de festa!

A Marche é basicamente uma caminhada de 8 quilômetros partindo de Sierre até Salgesch. Durante o percurso, que começa na cidade e passa por vinhedos, construções antigas, fazendas e até cachoeiras, existem mais de 40 paradas, onde é possível degustar vinhos diretamente dos proprietários e comer as comidas locais. E mais, cruzamos com bandas, músicos e um pouco de tudo no caminho.

Da estação de Sierre pegamos um ônibus que nos levou até o guichê de entrada. Por CHF 25 recebemos o copo para degustação, um “porta-copos” para pendurar o copo no pescoço e cinco vales, quatro para degustar vinhos e um para comer raclette, prato de queijo derretido típico do Valais.

Os guichês abrem às 9 da manhã e ficam abertos até as 14 hs. No ponto da chegada, Salgesch, o último ônibus sai para a estação de trem às 22 hs.

Dia bonito com céu azul e não muito quente. Perfeito. As nove e meia da manhã começamos a andar. Tínhamos entre nós um suíço alemão fissurado por vinhos e pelas tradições suíças que conhecia os melhores produtores e alguns atalhos charmosos. Delícia, podemos relaxar que estávamos em excelentes mãos.

E fomos andando, devagar, sem estresse, cada um no seu ritmo e observando o que interessava.

Logo na primeira parada alguns já se aventuraram a tomar um Fendant, um vinho brancos feito com chasselas, uva bastante presente nos vinhedos Suíços. Lá encontramos outros três amigos e seguimos nossa viagem.

Durante o trajeto passamos por alguns chalés antigos e bastante típicos, construídos em madeira e suspensos por quatro pilares. Meio esquisito de ver. Eram feitos assim para que os ratos não acessassem a construção, onde era produzido queijo. No primeiro andar do pequeno chalet ficavam os animais, que com o calor de seus corpos aqueciam o segundo andar, onde a família morava. Calefação ecológica!

Cada parada tinha uma surpresa. Sanfoneiros, carros de boi decorados, bandas locais.

E todo mundo canta, todo mundo participa. Orgulhosos, exibiam a bandeira do Valais em todos os cantos.

Não sei se pelo efeito do vinho, ou se pela acolhida calorosa dos Valaisans, quanto mais se caminha, mais relaxado e informal o povo vai ficando.

Como estávamos em onze pessoas, era fácil dividir uma garrafa de vinho. Então pudemos experimentar o melhor que o Valais oferece: Petite Arvine, Johannisberg, Heida, Amigne e até um vinho espumante, feito de Muscat, surpreendentemente não tão doce.

Não sabia e aprendi que aqui agricultores avaliam alguns vinhos brancos com abelhas. Uma, duas ou três, indicando o quanto aquele vinho tem de açúcar residual. Adorei. Mais ou menos como os restaurantes asiáticos, através de pimentinhas, indicam se o prato é muito apimentado.

Sentamos para comer um risotto de uvas, delicioso por sinal, e a partir de lá começamos a descobrir os tintos: Pinot Noir, Syrah, Humagne e Gamay e algumas assemblages interessantes.

Passamos então por uma floresta e no meio do nada mais uma parada, onde rolava um rock bem dos anos setenta. Claro que sentamos e ficamos mais um pouquinho. Parada estratégica pois em seguida encaramos uma subida íngreme. Do topo visualisamos a chegada em Salgesch.

Na chegada encontramos o fornecedor preferido destes amigos e claro que lá sentamos para comer uma raclette enquanto degustávamos o Shyrah deles. Sentamos em uma mesa comunitária, ao lado de um senhor que jurava ser parente do Federer e que fez com que fantasiássemos que um pouquinho do ídolo suísso estava entre nós.

Devagar então os amigos começaram a se dissipar afinal, começamos bem cedo e já começava a escurecer!

Pegamos também o ônibus, que nos levou a estação de trem, de onde voltamos para casa trazendo mais dois copinhos de vinho para nossa coleção. Sim, porque em casa de suíço, bebe-se o apéro nestes copinhos de degustação.

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Festa nos vinhedos Suíços

O vinho Suíço

O Vinho Perfeito

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