Mudar de país. Mudar para a Suíça.

O meu processo de mudança foi gradual. Vim para uma pós graduação de um ano e acabei ficando um ano e meio. Voltei para o Brasil para o Natal e tive que encarar uma cirurgia no joelho depois de uma queda tonta tentando esquiar. Passei então cindo meses no Brasil, entre sessões de fisioterapia e muitas ligações de skype, para finalmente voltar para Suíça, estudar Francês, curtir a vida e procurar uma maneira de mudar definitivamente para cá.

Descolei meu emprego, e com ele meu visto de trabalho.

Finalmente no início de 2009 fechei meu apartamento em São Paulo e mudei, desta vez trazendo para cá alguns móveis, minhas roupas que sobreviveram ao bazar do desapego, meus quadros e objetos queridos. Meio container. Pouco mas para quem vivia com duas malas, uma super diferença.

Trabalhando virei gente grande de novo. Tinha horários, compromissos, carro da empresa e responsabilidades. Finalmente parei de gastar minhas economias e comecei a economizar de novo. Nada mal. Aluguei um apartamento, super localização em Lausanne e voltei a ser responsável.

Na minha chegada na empresa fui convidada para participar de uma reunião para expatriados. Meu contrato era local, infelizmente nunca fui expatriada mas, como estava começando e era estrangeira, me convidaram. Fui.

Nesta reunião ouvi do consultor duas coisas que nunca me esquecerei:

A primeira: O tempo da mudança é de 6 meses.

Verdade absoluta.

Não é só esperar o container chegar e desembalar suas coisas. Tem que alugar casa, atividade surreal na Suíça. Aqui você é escolhido, não escolhe. Providenciar visto, abrir conta no banco, escolher fornecedores, se cadastrar nos serviços.Aprender a dirigir, refazer a carteira de motorista. Entender como fazer uma simples compra. Onde comprar. Desvendar como a coisa funcionam por aqui.

E pior, algumas tarefas dependem da outra.

É enlouquecedor.

Durante seis meses o expatriado fica envolvido com burocracias, arrumações, papeladas, autorizações e demandas do novo país.

Vulnerável, pois não entende a língua e nem conhece os processos.

E as cartas chegavam de duzias, todas em francês. Uma insanidade.

Eu até que já tinha decodificado bastante coisa mas, como vivia com duas

malas e em uma situação pra lá de transitória, não tinha ainda vivido o estresse de mudar. Realmente, a coisa pega.

Este mesmo tempo, seis meses, segundo o sábio consultor, vale tanto para a vinda quanto para a volta!

A segunda, e mais marcante: Morando fora você descobrirá muito sobre seu país de origem.

Como? Longe do Brasil vou conhecer mais sobre o Brasil? Estou aqui para viver e aprender sobre a Suíça. O Brasil já conheço!

E ele se explicou: O seu país de origem é a sua base, seu referencial. Longe dele você comparará todas as suas novas experiências com ele.

Não existe maior verdade.

E é muito interessante.

Estávamos em uma sala com umas 15 pessoas de diferentes nacionalidades e aí fizemos um exercício bárbaro: cada pessoa listou em um papel três percepções sobre a Suíça e outras três, sobre os suíços.

Então ele nos colocou em grupos para apresentarmos e discutirmos nossas listas. Mas o esperto escolheu grupos bem heterogêneos. Lembro que no meu tinha uma sul africana e um alemão.

Foi então que percebi que quando falava que a Suíça era limpa, estava comparando a limpeza da Suíça com a limpeza do Brasil. O alemão não achava assim tão limpa, ele via a democracia como característic mais marcante. A sul-africana sim, me apoiava e lia da mesma maneira a questão limpeza. E ficamos lá, tentando convencer uns aos outros o inconvencível!

E quando dizia que os suíços eram pouco flexíveis, o alemão discordava piamente! Preciso explicar por quê?

E a sul-africana não achava que destacar a beleza da Suíça era primordial... ela vinha de Cape Town, uma das cidades mais lindas que conheço!

O sábio consultor me convenceu que nunca conheceríamos tanto o nosso próprio país enquanto vivendo longe dele. Bingo. Vivo isso todos os dias por aqui, virei PHD em Brasil!

PS. eu sei que estes elefantes não têm nada a ver aqui... mas não são lindos?

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Meu inverno na França, na fronteira com a Suíça

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