Pavilhão Real, um pedacinho da Tailândia em Lausanne


O rei tailandês viveu em Lausanne durante 18 anos, de 1933 a 1951. Quando comemorava 60 anos de sua acensão ao trono, em 2005, resolveu doar para Lausanne um pavilhão real, que nada mais é que uma pequena réplica do palácio real, usado pela monarquia para celebrar festas fora das instalações oficiais. É considerado parte do palácio real, um pedacinho da monarquia tailandesa em Lausanne!

Em 2005 também se comemorava as excelentes relações diplomáticas entre os dois países por 75 anos.

Surgiram então perguntas básicas, como onde colocar o tal Pavilhão? Para receber o discreto presente foi escolhido o parque Denantou, um das áreas verdes mais lindas que existe em frente ao Lago Genebra.

O parque tem árvores altas e um gramado delicioso. Lugar calmo, e não tão lotado como Ouchy, o Denantou fica do leste de Lausanne, quase na divisa com Pully.

Em 2007 o Pavilhão foi construído, durante três meses, na Tailândia. Desmontado, foi enviado para a Suíça, companhado de experts em arquitetura tailandesa, responsáveis por sua montagem. Todas as peças foram cuidadosamente numeradas e colocadas no local escolhido em uma operação para lá de perfeita. As peças eram encaixadas como um quebra-cabeça. Todos os operários vestiam luvas brancas e usavam ferramentas especiais, para não danificar a decoração intensa da construção, rica em esculturas, pinturas em ouro e vidros. O pavilhão tem detalhes incríveis! Um vídeo de 50 minutos foi feito, mostrando a montagem impecável.

A construção mede 6 x 6 metros e tem uma flecha de 16 metros de altura. Parece uma caixinha de jóias dourada destacada na imensidão verde do parque. Impossível não notar.

Em 2009 a princesa tailandesa oficializou a inauguração e desde lá, o pavilhão está aberto para visitações.

Mas o que eu aprendi sobre o pavilhão, não lí em livros e nem surfando pela internet, descobri através de uma batida policial onde os supostos infratores eram eu e um grupo de amigos.

Me explico: tradicionalmente todo Julho, verão e dias longos, eu e uma amiga organizamos um picnic na beira do lago. O picnic começou a ser feito para comemorar e agradecer a metade do ano que havia passado e já agradecer a outra metade que estava começando. Acreditamos que agradecer traz boas vibrações.

E como toda comemoração aqui na Europa pede champagne, todos os convidados trazem uma garrafa de champagne, algo para comer e uma manta para sentar. Cabe as organizadoras levar taças de vidro e a infraestrutra necessária, como guardanapos, água, velas e sacos de lixo. Tudo é colocado na grama em frente ao pavilhão, nosso lugar eleito, e lá ficamos, até depois de escurecer.

Em um destes deliciosos picnics caiu uma tempestade fortíssima. Corremos então para dentro do pavilhão, que forramos com nossas mantas. Eramos mais de 25 pessoas dentro dos 36m2. E mais, algumas pessoas, que corriam no parque para fugir da tempestade também buscaram abrigo no pequeno palácio tailandes e foram recebidos com uma taça de champagne e nossas deliciosas comidas. Uma festa. Os que chegaram lá não acreditavam!

E a chuva parou mas continuamos no pavilhão real, nos sentindo privilegiados com tanta beleza ao nosso redor.

Até que chegou a polícia.

Dois policiais altamente armados queriam saber o que estava acontecendo e quem era o responsável. Fomos sinceras explicando com nossos sotaques de estrangeiras que estávamos na grama até a tempestade cair, quando nos abrigamos na Tailândia. Hospitaleiras, oferecemos coisas gostosas para eles, que agradeceram, nada pegaram e acho que entenderam que a última coisa que aquele bando de estrangeiros buscava era problema. Estavamos em missão de paz.

Para não sermos fichadas pela polícia prontamente mudamos nosso picnic para a grama ainda molhada. Ninguém estava mais no pavilhão portanto, nenhuma necessidade de nos fichar. Aqui, se a polícia é chamada, alguém é fichado e paga uma multa pelo deslocamento policial e taxas administrativas, se o chamado for desnecessário. Eles foram legais e acho que até riram da velocidade com que deportamos da Tailândia.

Ai então o policial, que a esta altura já era nosso amigo, nos mostrou o que ninguém sabia: na riqueza da decoração do pavilhão estão escondidas nada menos que 16 câmeras de vigilância 24 horas. Ops, 36 m2 e 16 câmeras? Pois é! As câmeras estão quase imperceptíveis no teto, disfarçadas no meio da madeira entalhada e dos detalhes ricamente pintados. Serviço de primeira.

E aquela noite terminou com todo mundo na grama, com o bumbum molhado, rindo só de imaginar o susto que homem responsável pela câmera deve ter levado quando assistiu o palácio real sendo invadido pelo bando de estrangeiros armados com taças de champagne.

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