Pontualidade Suíça

Aqui acontece de estar na estação de trem e ouvir pedidos de desculpas pelo atraso do trem. Bonito. Pelo interforne se desculpam e avisam que o atraso é de três minutos. Oi? Três minutos? No início acho que nem notava o atraso, achava engraçado as desculpas, a meu ver até incabidas. Três minutos é nada! Depois fui me habituando a esta pontualidade e aos poucos, infectada acho eu, comecei a ficar inquieta nas poucas vezes que o atraso acontece. E é engraçado olhar ao redor, todos ficam impacientes, olham os relógios e miram o horizonte, acho que na torcida silenciosa para que ele apareça mais rápido.

foto: g1.globo.com

É contagiosa. Pontualidade passa, e pega!

E faz sentido. Os eventos são sequenciais e um atraso atrapalha tudo o que está lá na frente. Tavez se o primeiro paciente de um médico não se atrasar, os outros serão atendidos na hora.

No Brasil qualquer atraso é facilmente justificado pelo trânsito. É cultural. Quem não engole que o trânsito é o caos e que ele realmente impede que estejamos onde deveríamos estar na hora combinada? Pois é... desculpinha safada que faz com que todo mundo feche os olhos para o desrespeito, o descaso e a falta de atenção de um atraso.

Na Suíça atrasar é coisa séria. Todo mundo sabe que até acontece eventualmente mas, o que é inaceitável é a falta de antecipação. Se alguém vai se atrasar, seja porque o trânsito está caótico, ou porque dormiu mais que deveria, ou sei lá por quê, o esperado é que se enfrente com educação o problema e avise a outra parte. Oras, todo mundo tem celular, todo mundo sabe ligar. Ninguém gosta de esperar.

E é assim mesmo.

Jantar em casa, cinco para as oito e o telefone toca: “Teca, sinto muito mais estou atrasada....”. “Claro, acontece. Obrigada por avisar, sem pressa, estou por aqui”. Diminuo o forno e aumento a música um pouquinho... mas, para minha surpresa, a campainha toca 8:07. Chegaram. Com atraso devidamente notificado de 7 minutos, super pontual para os padrões brasileiros mas atrasado para os deles, claro!

E quantas vezes dei voltas no quarteirão para não chegar mais cedo que o combinado? É, também não é educado se antecipar... mas eu, acostumada com São Paulo, onde um simples evento leva pelo menos uma hora, não sabia sair de casa cinco minutos antes do horário. E também não gosto de ter que vestir a carapuça de que brasileiro é atrasado. Procuro ser sempre pontual.

Antes de mudar para cá, quando me convidavam para algo com muita antecedência eu reagia “Sei lá se vou estar viva daqui a dois meses”. Hoje me sinto uma tonta quando compro passagens aéreas, ou perco descontos de antecipação em hotéis, só porque não me programei antes. Programar é mais barato, muito mais!

Agora engraçado mesmo foi uma amiga muito querida, que me convidou a semana passada para sua festa de aniversário em Zurique, que será em junho 2016. Oito meses de antecipação! E eu? Fiquei sem poder confirmar porque acho que já tenho algo programado para a mesma data, preciso falar com Meu Suíço, é mole? Aqui funciona assim.