Política e críticas no Carnaval Suíço

O que me surpreendeu muito no desfile do carnaval suíço foram as críticas explícitas feitas pelos blocos em relação a situações, personalidades e decisões locais.

A Suíça é o país mais democrático que conheço e talvez por isso devessem ser esperadas manifestações de oposição porém, confesso que achei as críticas fortes e muito mais diretas que pensava encontrar. Afinal, mesmo tendo a democracia imperando por aqui, o Suíço é conhecido por ser um povo discreto e por não tomar posições polêmicas publicamente.

Para minha total surpresa, a neutralidade Suíça não estava presente no Carnaval de Chur!

Claro que tinham blocos tradicionais. Não pode faltar no carnaval palhaço e claro, no desfile de Chur teve. O que achei bonito eram as cores fortes das fantasias, que contrastavam de uma maneira muito harmônica com a maquiagem elaborada dos palhaços. Eles encantaram crianças e adultos, mostrando um romantismo e até uma ingenuidade bastante genuína.

E teve bruxa também, que além de assustar a criançada, mostraram muito da cultura e da influência alemã de Chur. Usaram e abusaram das máscaras, que são tradicionais e caracterizam bem a influência germânica.

Dois blocos criticaram diretamente o escândalo da Fifa. E era esperado, uma vez que Sepp Blatter é suíço alemão. Um bloco desfilou com máscaras do Blatter e roupas de presidiário e de árabe, criticando a corrupção da federação e a copa do mundo no Qatar.

O outro bloco foi super extra explícito. Apresentou como carro alegórico um mega boneco do Blatter com os bolsos cheio de dinheiro deitado em uma posição bastante vulnerável. As fotos falam sozinhas. Se intitularam Mafifa, híbrido de máfia e Fifa.

Também cruzando a fronteira da discrição, um bloco criticou um escândalo ocorrido ano passado com um bispo católico. O bispo fez o infeliz comentário que no antigo testamento há uma menção criticando o homossexualismo. Bingo! O pessoal não perdoou e muito menos esqueceu. Estamparam na avenida o tal bispo vestindo as cores do diabo.

E teve também um bloco que fez uma crítica a prefeitura de Chur, que ano passado bloqueou algumas ruas, aumentando o número de calçadões. Aparentemente a decisão trouxe o caos no trânsito de lá. Carros e sinalizações de rua foram utilizados nas fantasias mostrando descontentamento.

Giger, o pintor suíço surrealista falecido em 2014 e vencedor do Oscar pela criação do Allien, foi homenageado com um grupo que vestia uma roupa preta com detalhes prateados futurista, bem no estilo dele.

Como também não poderia faltar, a preocupação com animais e ecologia também estava por lá!

O Carnaval de Chur me surpreendeu muito. Acho que é um programão para Brasileiros que querem conhecer mais da Suíça local, fugir dos programas turísticos tradicionais, vivendo uma experiência única, cheia de criatividade.

Eu, brasileira, acostumada com o carnaval brasileiro tradicional, amei ter encontrado uma festa elaborada, que trazia toques ingênuos e também provocativos. Gostei e recomendo!

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