YOG Lillehammer 2016 e Lausanne 2020


Na Noruega, a pequena cidade de Lillehammer acolhe de 12 a 21 de Fevereiro o YOG, Winter Youth Olympic Games, ou os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude.

Eu nunca havia visitado a Noruega e, sinceramente, nunca pensei que a visitaria no inverno mas, devido a tão charmoso convite, fui. E amei.

Alguns números de lá:

  • O Comité Olimpico Internacional, com a colaboração de 7 federações internacionais, organizou competições para 15 modalidades esportivas e entregarão 70 medalhas de ouro.

  • Ao todo 3000 voluntários foram treinados e colocados em funções para interagir com atletas, visitantes e organizadores.

  • No total 1067 atletas de 71 países diferentes participaram. As idades variam de acordo com a modalidade esportiva porém a maioria dos atletas têm menos de 18 anos.

  • O Brasil esteve presente, com 10 atletas nos representando em 5 esportes: Curling, Skeeleton, Cross-country skiing, Bobsleigh e Alpine skiing.

A abertura das Olímpiadas aconteceu com a presença da Família Real Norueguesa, de autoridades políticas, dos atletas participantes e do público em geral. Eu nunca ví uma noite tão fria na minha vida. Toda a abertura foi feita ao ar livre, em um lugar lindo, aos pés da pista de saltos de esqui. Cada vez que o vento soprava eu me perguntava como alguém pode viver naquele frio.

Como sempre acontece nas olimpíadas, teve hinos, representação dos 71 países participantes e um show, que na minha modesta opinião poderia ter sido mais curto, por causa do frio cortante. O máximo da noite foi a chegada da tocha olímpica, que foi iluminada pela Princesa Ingrid, uma criança, a filha do príncipe herdeiro. O evento terminou com uma queima de fogos muito linda. Por alguns minutos deu até para esquecer que eu estava congelando!

Tive a honra de assistir a uma competição do time Brasileiro de Curling. A presidente da federação internacional desta modalidade estava super sensibilizada com os esforços que este time novo, treinando a apenas seis meses, demostrava. Determinada, ela demonstrou que o objetivo destes jogos é realmente desenvolver o esporte. Ela estava lá, no final do jogo, parabenizarando e incentivando os jovens atletas. Perdemos feio o jogo mas ganhamos muitos pontos como brasileiros!

Não pude ficar até o fim dos jogos, voltei no dia 16 mas, o que mais gostei foi a informalidade com que o povo Norueguês recebeu e participou de todos os eventos. O príncipe e sua família assistiram a diversas competições, sempre vestindo o uniforme dos voluntários. Um charme discreto e simbólico. Eu presenciei eles dançando com o mascote dos jogos, fazendo coreografias na arquibancada. São divertidos!

A programação inteira foi feita para educar atletas e público, além de promover e desenvolver as diferentes modalidades esportivas. Muito interessante. Entre o denso calendário de competições existiam diversos eventos culturais. Nas Vilas, onde os jovens atletas se hospedaram, existiam workshop e trabalhos de integração. Um dos dias foi exclusivamente dedicado a educação dos atletas.

Não assisti mas sei que na programação tem um dia onde times internacionais foram montados, misturando culturas, raças, maturidade e habilidades. Nada mais desafiador. Impossível não promover a integração e respeito internacional.

Alguns esportes ofereciam o “Try me”, ou “Experimente-me”, onde o público podia vestir o equipamento fornecido pelo estádio e, através da ajuda e recomendação de monitores, tentar praticar o esporte que acabaram de presenciar.

Toda a programação, com exceção da abertura, era gratuita. Tudo estava disponíveis para quem quisesse e pudesse assistir.

O investimento para os jogos foi muito menor que em eventos similares pois a Noruega, que sediou as Olimpíadas de Inverno de 1994, aproveitou estádios e instalações existentes, além de ter feito tudo de uma maneira discreta e muito eficiente.

Fiquei também muito surpresa com a simplicidade. Nas salas VIPs, usadas pelos organizadores, membros do Comitê Olimpico Internacional e até ponto de apoio para a família real, serviram frutas e alguns poucos snacks. Tudo muito simples porém sempre caprichado e gostoso. Nada comparável ao que acontece em outros grandes megas eventos.

E as escolas norueguesas estiveram presentes em massa. 3 a 4 Mil alunos visitaram diariamente os jogos, como uma de suas atividades escolares normais. Nos estádios ouvia-se a alegria das crianças gritando e incentivando seus atletas preferidos. Será para eles certamente uma experiência olímpica inesquecível!

Em um único dia ví o príncipe herdeiro três vezes: de manhã assitindo Short Track Skating, a tarde conferindo Figure Skating e no final do dia participando de um cocktail no Museu Olímpico. Isso sim eu chamo de comprometimento e de exemplo!

Com certeza a Noruega vai colher o fruto deste investimento. Mostrou preparo, compromisso, maturidade e sustentabilidade. De tirar o chapéu!

E Lausanne, na Suíça francesa, será a próxima cidade a acolher os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2020. Já lançou logo e já começa a promover seus eventos. Mas estava lá, para todos os lados, bem humilde e atenta, aprendendo, copiando e entendendo. E eu, pelo que conheço dos Suíços, sei que Lausanne 2020 vai arrasar também!

Fiquei fã da Noruega, fã dos Jogos Olímpicos da Juventude e principalmente fã do que irá acontecer por aqui daqui a 4 anos!