Imigração e estrangeiros na Suíça

Na Suíça uma a cada quatro pessoas é estrangeira. Junto com a Austrália, a Suíça lidera o ranking dos países do ocidente com maior número de imigrantes.

Diz a história que o mercado financeiro e a industrialização foram os grandes alavancadores da imigração por aqui. Eu ainda completaria a lista de motivos adicionando a localização privilegiada e central na Europa, o multi culturalismo deste país, um dos mais baixos impostos dos países europeus e a beleza e qualidade de vida que este país oferece.

Sabe-se que acordos de livre circulação durante o século XIX impulsionaram a imigração de residentes vindos dos países vizinhos. Nos anos 10, a taxa de imigrantes chegou a impressionantes 15%. Depois, nos tempos de guerra, observou-se uma redução do número de imigrantes. Lá para os anos 50 a imigração começou a crescer novamente a ponto de, nos anos 60, surgirem as primeiras regulamentações para organizar a chegada de estrangeiros. Decidiu-se por um número máximo de estrangeiros por companhia. Depois, nos anos 70, junto com a chegada da recessão, este número foi revisto.

No boom dos anos 80 e 90, a necessidade de mão de obra qualificada impulsionou novamente a imigração revisando a lei existente e favorecendo imigrantes europeus, com o objetivo de minimizar o fluxo de trabalhadores desqualificados vindos do “resto do mundo”.

A Suíça é um dos países mais democráticos do mundo e, é consequência daí o fato dela não fazer parte da União Europeia, EU. Alguns referendos foram feitos e nunca a maioria da população aceitou ser parte da EU. Mas acordos comerciais bilaterais foram feitos e estão em prática entre o bloco e o país. Existem acordos quanto a circulação de pessoas, tráfego aéreo e terrestre, agricultura, ciência, segurança, cooperação em casos de fraudes, entre outros. É importante saber que os acordos estão sujeitos a cláusula da guilhotina em que, se num referendo um tratado for rejeitado, todos os acordo bilaterais são automaticamente anulados.

Voltando a circulação de pessoas: no final de 99 o acordo de livre circulação foi finalmente assinado com a EU. O acordo, posto em prática em 2002, resultou na entrada da Suíça no tratado de Schengen, em Dezembro de 2008. Consequência deste tratado é apresentarmos o passaporte geralmente somente uma vez, quando entramos e saímos da Europa. No resto, é como se tivessem caído as fronteiras.

Foi exatamente ai, na visão de alguns Suíços conservadores, que começaram os problemas.

Com uma das maiores renda per-capita da Europa, estabilidade socioeconômica, políticas sociais altamente sedutoras, muitos estrangeiros decidiram vir para cá, principalmente estrangeiros do Leste Europeu. Sem fronteiras, era só chegar e se beneficiar da riqueza suíça.

Eu, que cheguei aqui em Julho de 2006, percebi a mudança em poucos anos. Imagino o Suíço que foi criado por aqui.

Do nada, em pouquíssimo tempo, pedintes começaram a aparecer nas ruas. As ruas ficaram mais sujas. O respeito a bens públicos diminuiu. Arrombamentos e furtos começaram. Tudo muito pouco mas, para um país minúsculo de 8 milhões de pessoas, estas mudanças ficaram muito evidentes.

Difícil de entender. A Suíça ainda é limpíssima, linda, organizada e cuidadíssima. Fato é que, para um país de extrema limpeza, um único papel na rua destoa. Na cabeça do “bem acostumado” suíço, pareceu que de repente tudo ficou imundo. É preciso compreender que os standards suíços são altos demais e os casos que pipocavam aqui e lá fizeram o terror da população.

O terror que esta mudança causou no dia a dia do suíço foi explorado pelo partido conservador UDC- União democrática do Centro – que propôs uma votação, acontecida em Fevereiro de 2014, restringido a livre circulação. E ganhou, por pouco, mas ganhou!

Bom, aí começaram os problemas sem fim da diplomacia suíça. A EU fincou o pé e disse que a Suíça não pode escolher só o filé mignon. E várias vezes lembrou aquele acordo de guilhotina...

Pois é.... as conversas ainda vêm e vão. Após três anos, ou seja em Fevereiro de 2017, a situação deve ficar mais clara, com números e dados.

Sabe-se, e percebe-se, que hoje em dia as autoridades estão mais restritivas quanto a renovar vistos e aceitar novos imigrantes. Mas expatriados continuam a vir, pois as autoridades também sabem que não podem parar esta máquina lucrativa e importante para a economia do país. Os imigrantes não altamente qualificados, aqueles com potencias riscos de virarem custo para o estado, estes sim estão encontrando mais restrições.

As novas regras decorrentes da votação contra a imigração massiva ainda não estão 100% sacramentadas e aceitas. Falam em cotas, mas nunca ví os números. E a EU está de olhos abertos. Coitados dos diplomatas!

E tem ainda a situação dos refugiados sírios. Esta discussão é a parte!

E para piorar ainda mais o tema imigração, dia 28 de fevereiro, a Suíça votará outra iniciativa do UDC bastante polêmica, sobre a expulsão dos estrangeiros criminosos. Mas como o assunto é para lá de complexo, este terá que ficar para o próximo blog!