Máquina de distribuição de Beef Tartare

Penso que além da conveniência estas máquinas que vendem produtos em todas as esquinas se propõem a salvar alguém em desespero. Sabe, com aquela fome louca, uma sede alucinante ou mesmo alguém impulsionado pelo vício do cigarro, da falta da cafeina... sei lá, algo incontrolável e inadiável. Se não fosse por uma necessidade impulsiva acho que as pessoas comprariam em locais com mais opções e possivelmente preços menores.

Fato é que a tecnologia de distribuição automática se banalizou pelos quatro cantos do mundo. Convenientes, rápidas, discretas e sempre aptas a aceitarem seu cartão de crédito, estas máquinas estão se espalhando mais que ervas daninhas.

As menos surpreendentes são as de gulosemas, jornais, revistas, refrigerantes, até cigarros. Basicamente produtos com validade mais longa, líderes de mercado, que não estragam se encalharem.

Uma que chamou atenção na minha última visita aos Estados Unidos foi a de flores. Sim, flores frescas, não de plástico. Fiquei imaginando a logística, nada simples, para não só armazenar os buquês como também mantê-los na temperatura e no ângulo certo.

Mas a rainha do diferente foi aqui na Suíça, máquina de tartare de boeuf, o famoso beef tartare.

Quem conhece sabe que o Beef Tartare tradicional é feito com carne de vaca crua, cortada preferencialmente com a ponta de uma faca afiada, e temperada com mil especiarias, ervas, mostarda e ovo cru. Outras variações existem, claro, em gastronomia vale tudo.

A logística e manutenção envolvidas nesta oferta deve ser bastante complexa. Mas o que me chama mais atenção é que, além de popularizar um prato tradicional francês, deve ter mercado, quem compre. Se não não existiria.

Na escola de hotelaria uma das coisas mais importantes que aprendemos na cozinha é o cuidado com o alimento cru, principalmente ovo e carnes, por serem suscetíveis a contaminação da salmonela, que pode até matar. Se liberaram a venda aqui, é porque sabem o que estão fazendo.

E pesquisando aprendi que a ideia das maquininhas vieram de Michel Pahud, um açougueiro famoso do estado de Vaud, especializado e reconhecido por clientes e restaurantes pelo seu talento em preparar beef tartare. A proposta das maquininhas automáticas Tout Cru, Tudo Cru, tem por trás Mr. Pahud e uma equipe de oito pessoas. As máquinas têm altíssima tecnologia. Acusam e reagem a qualquer oscilação na temperatura bloqueando venda e alertando os proprietários. Nenhum produto permanece mais que quatro dias para venda. Alegam nenhum risco para os consumidores e orgulhosamente avisam que só utilizam produtos locais, fato que os Suíços apreciam.

Seria o equivalente a ter uma máquina de feijoada nas esquinas. Bom, vai ver já até tem e eu que estou por fora...

Hoje são seis disponíveis na Suíça Francesa, e uma em Saint Prex, pertinho de mim.

Ainda não experimentei, apesar de amar, mas ainda vou. E quando for, contarei como foi.

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