Dirigir nas estradas suíças


Quando cheguei aqui tive um ano para adaptar minha carteira de motorista brasileira para a Suíça. Durante o primeiro ano a gente pode dirigir a vontade mas depois do prazo expirar, temos que fazer um exame prático.

Se tudo bem, ótimo.

Se não passar começam os problemas: a carteira de motorista brasileira é carimbada em letras garrafais alertando que esta não é mais válida na Suíça. Além de não poder mais dirigir, temos que esperar três meses para fazer um exame teórico, em francês, inglês ou alemão, e novamente o teste prático. Tudo custando uma fortuna. Cada novo exame, mais caro fica.

A possibilidade de fazer um exame escrito me aterrorizou então decidi ter umas aulas práticas para entender as diferenças básicas e aumentar as possibilidades da minha aprovação. Foi um bom investimento, que recomendo muito para quem chega por aqui.

Dirigir por aqui é bem diferente do Brasil, já discuti algumas diferenças básicas em alguns outros blogs. Mas o que mas me chamou a atenção é que não adianta decorar nada pois as estradas são mutantes.

A estrada é toda monitorada através de câmeras. Se o trânsito encrenca, a sinalização é toda adaptada.

Na rodovia que liga Lausanne a Genebra, duas das cinco maiores cidades Suíças, o acostamento é utilizado como via nos horários de pico do trânsito. Uma seta verde indica que é possível circular pelo acostamento e uma cruz vermelha alerta que aquele tráfico por lá não é mais autorizado.

A velocidade máxima também se adapta nos horários de pico. O limite máximo da estrada é reduzido de 120 km/h para até 80 km/h. Não tem essa de memorizar como funciona. Cada dia e cada horário é de um jeito, o que nos obriga a ler as placas e estar atentos às constantes mudanças.

Outra coisa referente as estradas. Aqui é esperado que você já entre em uma velocidade próxima a máxima. Não tem essa de entrar e depois acelerar. Já entramos firme e esperamos que a faixa da esquerda esteja liberada para os carros que chegam.

A faixa da esquerda é utilizada basicamente para ultrapassagens portanto, o negócio é ficar do lado direito para não atrapalhar os outros.

Outra coisa que acho bastante estranho é que o suíço em geral não dá muita distância do carro da frente. Isso eu odeio. Eles dirigem com segurança, dentro do limite de velocidade mas dirigem muito perto, o que me estressa um pouco.

Um amigo uma vez recebeu uma ligação da polícia pois foi denunciado por um carro que o viu dirigindo custurando nas estradas daqui. Aqui a população pode monitorar e denunciar tudo que acredita estar errado. Ele estava dirigindo como nós brasileiros dirigimos, o que foi considerado perigoso aqui. Teve uma dor de cabeça por isso, além das custas do processo, pago por quem infringiu a lei. Foi parar na corte e ficou sendo monitorado por um tempão com a ameaça de perder a carteira de motorista se cometesse alguma infração.

É importante lembrar que não existe pedágio na Suíça. Compra-se um selo anualmente que permite trafegar em todas as estradas do pais. Não interessa se a pessoa passa na estrada quinhentas vezes por ano ou duas. O preço é sempre o mesmo.

Enfim, as diferenças estão nos detalhes, na leitura das placas e na maneira de conduzir. Eu continuo a dizer, se puder, evite dirigir aqui. O transporte público é bárbaro e existem serviços de guia e translado.

A paz de olhar tranquilamente as paisagens deslumbrantes pela janela é certamente mais gostoso que o estresse de decodificar tudo atrás do volante.

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