Festa do Vizinho 2016


Na última sexta feira de Maio aconteceu em várias casas suíças a Fête des Voisins, Festa dos Vizinhos. Aqui em casa também. Escrevi sobre esta festa aqui.

Como ano passado organizamos a nossa no nosso bairro, esperamos um tempo para ver se alguém se animava e tomava a iniciativa de fazer este ano. Não queríamos nos impor e fazer com que as pessoas ficassem sem graça e nem pensassem que estariam roubando o nosso papel. A festa é e deve ser de todos. Fiquei quietinha esperando duas semanas antes da data oficial mas bem que torcendo para ninguém se animar, porque adoro fazer eu mesma.

Ninguém se manifestou e enviamos os convites por email. Devagar foram chegando as confirmações. Este ano 45 adultos e 14 crianças. Nada mal.

O tempo anunciava uma noite quente. Parece piada mas ano passado também foi assim, a primeira noite de primavera que dava para ficar no jardim. Depois de um longo inverno, esse é um programão!

Como no ano anterior, me ocupei de sobremesas e pedi aos vizinhos que ofereceram trazer algo, para que trouxessem um prato salgado. Quase todo mundo ofereceu trazer alguma coisa e capricharam com coisas deliciosas como sanduíches, quiches, espetinho de frango, pizza, croissants recheados, wraps... um festival de coisas gostosas e quase sempre engodativas.

É meio que prática aqui na Suíça, onde as donas de casa não têm auxiliares, oferecer levar alguma coisa quando se recebe um convite. Eu pessoalmente só peço que tragam algo quando as pessoas oferecem e quando é uma festa informal como esta, ou um picnic. Quando convido para um jantar comemorativo, prefiro organizar tudo eu mesma, que adoro cozinhar. Tenho uma amiga que já vai determinando o que cada um vai levar, mesmo no aniversário de alguém da família dela. Não acho legal. As vezes as pessoas estão enroladas, ou não gostam de cozinhar. Se oferecer, tudo bem, mas impor? Nesses jantares assim, que chamo de remendados, é comum prato não conversar com outro. Não é muito minha praia não.

Enfim, coloquei uns salgadinhos bem simples na mesa, só para que quando os primeiros convidados chegassem tivessem o que beliscar. E cada um foi chegando e depositando na mesa o que trouxe para partilhar.

Digo que a Festa do Vizinho é festa de todo mundo. Nós só emprestamos a casa e a infraestrutura. Disponibilizamos copos, guardanapos, pratos e talheres excepcionalmente descartáveis e bebidas.

Nossa festa foi uma delícia.

Começou as 6:30 da tarde e aproveitamos o dia longo da primavera. Lá pelas 9 horas acendemos as centenas de velinhas que espalhei pelo jardim, o braseiro e os aquecedores externos. Um balão apareceu no céu. Lindo. Todo mundo ficou de boca aberta admirando a imponente visita no ar.

Brincaram que quando fazemos, fazemos direito: noite quente e até balão para decorar.

As 10:30 começaram a cair uns pingões de chuva. Todo mundo correu levando coisas para a mesa da sala. Alguns começaram a se despedir e agradecer a hospitalidade. Mas foi alarme falso. Dali a meia hora que caiu o mundo de verdade.

Ficamos todos espremidinhos embaixo do toldo do jardim. Cada um bebendo seu copo de vinho tinto do produtor local, também nosso vizinho. Todos absorvidos na beleza da chuva. Ficamos ainda algum tempo por lá. Alguns entraram na sala mas a maioria queria ficar fora afinal, estava quente, finalmente.

Toda festa tem os tradicionais últimos. Nesta não foi diferente. Acho que já conhecemos quem são os vizinhos notívagos e os mais boêmios, grupo que certamente alguém já deve nos ter incluído.

E ficamos lá, sentados na varanda coberta pelo toldo. Um casal francês, outros dois suíços, eu e Meu Suíço. Adoro final de festa!

Tivemos que dar um empurrãozinho no francês, que certamente dormiria em casa aquela noite. Depois, aumentamos a música, apagamos as velas e começamos a encher a máquina de lavar com os inúmeros copos usados.

Fomos dormir felizes. Muito bom se sentir bem no se próprio bairro!