Desempregada na Suíça

Nunca tive medo de ficar desempregada. Sempre tive uma certa confiança que morrer de fome eu não morreria e que sempre existem possibilidades para quem quer trabalhar. E é verdade, continuo acreditando nisso mas, devo adimitir que a idade e a falta de um network não facilitam muito não.

Me debati quando resolvi ficar na Suíça e fiquei. Quando consegui meu trabalho constatei que com o visto de trabalho, vêm obrigações e tributações.

Entre os diversos descontos que temos no nosso holerite encontramos um seguro desemprego, o Chômage na Suíça Francesa.

Não sabia da importância do Chômage até em 2010, no auge da crise, minha empresa se reeorganizou e dispensou funcionários. Eu inclusa.

Demitiram dezoito funcionários, incluindo eu. Nada fácil. Como eramos muitos, funcionários públicos foram até nosso escritório para explicar nossos direitos e obrigações. Durante uma tarde aprendemos detalhadamente o que deveríamos e o que não deveríamos fazer.

O programa de auxilio aos desempregado na Suíça é sério, eficiente e muito responsável. É também rígido, para evitar abusos. E muitos tentam, claro, aqui também tem espertos, infelizmente.

Cada cantão, espécie de estado daqui tem suas regras e polítocas. Vou explicar o seguro desemprego para o estado de Vaud, onde tive minha experiência.

Quando demitido o funcionário deve correr para o Chômage para fazer a inscrição ao programa, que deve ocorrer imediatamente.

Do ponto de vista administrativo, definirão o valor que o novo desempregado receberá, e por quantos meses. A equação para calcular é complexa pois leva em conta diversas variáveis como a idade do beneficiário, a existência ou não de dependentes, os meses que o beneficiário contribuiu ao seguro, o valor do salário que era recebido pelo contribuinte. Considera-se também se o beneficiário pediu demissão ou se foi demitido. A existência ou não de pacotes para demitidos também entra na conta.

De maneira geral o seguro é de 70% do salário de contribuição para contribuintes sem dependentes e 80% para os que tem dependentes. Existe um um teto de quase CHF 10,000.- por mês, ou R$35,000,00 (dólar a 3,50).

O período pelo qual este seguro é pago varia de 90 a 520 dias úteis.

Um conselheiro é então designado para acompanhar toda a trajetória do desempregado, ou Chômeur. CV, rede de contatos profissionais e pessoais, participação em feiras e grupos, competências profissionais, talentos individuais, tudo é analisado para avaliar a empregabilidade do indivíduo. Na falta de uma habilidade crucial, cursos são disponibilizados. O objetivo é claro: aumentar as possibilidades de encontrar um emprego rapidamente.

Juntos, conselheiro e o beneficiário, montam um plano para que o período de desemprego seja o menor possível. A idéia é correr contra o relógio.

Aqui o seguro desemprego é visto como um salário para um trabalho temporário, o trabalho de procurar um trabalho. Sim, ninguém está recebendo uma esmola ou uma ajuda. É um direito recebido para quem se dedica à procura de uma colocação.

O salário desemprego é pago para que se procure emprego 8 horas por dia. Relatórios têm que ser apresentados mensalmente justificando aquele recebimento. As regras têm que ser cumpridas. Abusos são rigidamente penalizados.

Além de cursos qualificativos, existe um banco de dados com ofertas de trabalho. Quando um conselheiro recomenda determinado posto, o beneficiário tem que se apresentar. Isso é bastante comum para postos mais operacionais. A idéia é trabalhar logo.

Quando se encontra o trabalho, o benefício é finalmente suspenso e todo mundo fica feliz.

Mas se o período do benefício terminar sem que o emprego tenha sido conseguido, cabe ao beneficiário rever sua condição financeira. Ou ele sobrevive queimando suas economias ou, na ausência destas, inscreve-se em algum outro programa social. Ele sai das estatísticas como desempregado.

Notei que o suíço tem vergonha de ficar desempregado. Se sente constrangido, deprimido, pois sabe que está recebendo ajuda com os impostos que todos pagam. Acho que se culpa..

Fiquei desempregada um bom tempo e posso assegurar que não tem nada de divertido. É muito chato não produzir quando a maioria ao seu redor produz.

Se for para ficar desempregada, que não tem nada de divertido, e se puder escolher onde, eu escolho a Suíça. Achei o programa sério, estruturado, generoso e muito eficiente. Não recomendo, porque ninguém merece mas...

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