Self service, os mercadinhos suíços informais


Aqui na Suíça a gente encontra umas coisas bem particulares.

Para atrair clientes os comerciantes muitas vezes expõem seus produtos nas calçadas sem nenhuma vigilância. Araras de roupas, prateleiras com objetos, tudo fica lá, disponível. Se alguém quiser abusar da confiança, é só passar e levar. Aparentemente levam muito pouco, ou quase nada, pois o hábito continua na ativa.

Mas o máximo é quando encontramos os produtos self-services. Geralmente em cidade menores, mas ainda assim, abundante na Suíça francesa.

Andando na zona residencial de Vufflen le Château, eu e minha amiga inglesa nos deparamos com uma prateleirinha com algumas compotas. Compotas feitas em casa, denunciadas pelos rótulos escritos a mão, e com uma etiquetinha indicando o preço. Ao lado, uma caixinha, onde o cliente, depois de escolher o que interessa comprar, deixa as moedinhas correspondentes.

Moedinhas maneira de dizer. A moeda de CHF 5 vale aproximadamente R$ 17. Nada mal. Moeda aqui vale!

Minha amiga inglesa precisava comprar mel e se serviu, deixando o dinheiro na caixinha. Enquanto estavamos lá escolhendo e como não poderia deixar de ser, conversando, a dona do mercadinho apareceu. Puxamos um papo. Ela contou que infelizmente as pessoas começavam a abusar. Já aconteceu de sumirem com as mercadorias e até mesmo sumir com a caixinha cheia de moedas. Perguntei porque ela continuava com isso, já que o risco começava a inviabilizar o negócio. “Por princípio. Cresci assim, ví meus pais fazerem assim. Não aceito que os estrangeiros mudem meus hábitos. Continuo a fazer como sempre fiz.” Interessante ela dizer isso para duas estrangeiras.

Os estrangeiros, aqueles a quem ela se referia, são uma pedra no sapato de alguns suíços. Não é o estrangeiro legal, que trabalha, paga impostos e respeita a cultura suíça, mas o estrangeiro que resolveu vir para cá ilegalmente e que inicia violência e pequenos delitos em um país organizado.

E tem as flores self-service. Um canteiro enorme de flores diversas bem na beira da estrada. Os carros passam, param, pegam as tesouras disponíveis, colhem suas flores e colocam o dinheiro na caixinha. Civilizado demais, não?

Moro bem na divisa da cidade e da área rural de Saint Prex. Perto de casa existe uma família de agricultores que plantam de tudo. Atrás da casa deles tem uma casinha, tipo um barracão, que eles denominam “Marché”, mercado em francês. Este mercado fica aberto, com todos os produtos expostos com seus respectivos preços, e um cofrinho. E assim funciona. Ano passado tinham tantas abóboras que colocaram as mercadorias na rua. Quem sabe este ano eu também entro na onda?