Suíça com cachorros – Parte 4 – Trocar experiências

Progredimos bem na nossa lista de coisas a fazer para conseguir nosso cachorro: curso teórico feito, raça Golden Retriever definida, Roger selecionado como nome. Tudo sob controle.

Meu Suíço sugeriu então que almoçassemos junto com um casal conhecido que tem um Golden. Lá fomos. A esposa chegou antes acompanhada de Chelsea, uma golden clara, quase branca, grandona e com um pêlo super macio. Amigável, não precisou de mais de dois segundos para aceitar nossos carinhos.

O marido viria direto do trabalho.

Aqui na Suíça cachorros são bem vindos. As vezes mais bem vindo que crianças. Mesmo assim Meu Suíço quando fez a reserva perguntou se teria algum problema. Nada. Comprovou. Cachorros eram bem vindos por lá.

Chelsea sentou-se no chão do restaurante italiano e lá ficou. Calma, não abriu o piu. Só levantou feliz quando seu dono chegou. Irradiava alegria em vê-lo fora do horário convencional. Nos explicaram: Claude quase nunca almoça em casa.

A garçonete italiana e linda, que desconfio ser o motivo do Meu Suíço adorar tanto aquele restaurante, trouxe uma vasilha de água para Chelsea, que depois de ser acarinhada por Claude, voltou à sua discrição inicial.

Durante o almoço o assunto, claro, foi cachorro.

Nos contaram que Chelsea é a terceira golden que eles tem. Cada uma tem temperamento e histórias diferentes. Ainda se emocionam quando falam das outras duas mas Chelsea, de londe, é a mais inteligente das três.

A segunda cadela deles faleceu muito cedo, não tinha nem dois anos. Pegou uma doença esquisita e morreu. Aparentemente era um pouco frágil. A família ficou devastada, todos sofreram muito mas Claude em especial sentiu a perda como ninguém. Demorou para querer outra. Sentiu-se traído e abandonado pela ruptura tão precoce.

Superado o trauma da segunda perda, procuraram um canil super top para garantir que teríam um cachorro mais que saudável. Custou mais caro e não se arrependem. Consideram que a inteligência evidente de Chelsea vem daí.

Interessante, afirmaram categoricamente que a inteligência de um cachorro tem muito a ver com a maneira com que ele vive suas primeiras semanas. Sentiram na pele que um bom criador de cachorros faz toda a diferença, não só para a saúde como também para definir a inteligência do animal. Nossa instrutura do curso teórico afirmou o mesmo.

Com esta afirmação percebi que meu impulso de procurar um cachorro francês, lê-se mais barato e mais rápido, foi embora de vez.

Meu Suíço, que resolveu que Roger será o Einstein dos Goldens, pediu nomes de criadores confiáveis de Golden na Suíça. Recebemos uma lista com três nomes e uma altíssima distinção para um determinado canil “O melhor da Suíça francesa”. Adivinhe para qual Meu Suíço ligou?

Marcamos um segundo encontro canino, desta vez um jantar com uma amiga querida que tem uma cadela adotada. Ela ganhou na loto, sua cadela é uma lady: charmosa, elegante e muito educada. Já nos visitou em casa e não criou o menor constrangimento. Em casa ela será sempre bem vinda.

O jantar, comida tailandesa deliciosa, transcorreu bem. Mas, para ser sincera, senti uma certa pressão em nos converter à adoção, ao invés de comprar nosso filhote. Até entendo que existem muitos cachorros precisando de um lar, que a adoção é um ato de amor, que filhotinho dá muito mais trabalho e etc e tal. Acho bonito. Mas obrigada, não queremos. E ponto.

Depois que as posições foram esclarecidas, ela nos deu dicas preciosas de como educar, cuidar e se organizar com um filhote.

Depois do nosso almoço venho deletando centenas de fotografias de cachorros. Generosa, todos que ela encontra pelo caminho ela fotografa e me manda por whatsapp. Se encontrarem meu celular vão achar que tenho alguma fixação em cachorros dos outros. Sei lá...

Os dois encontros foram muito interessantes mas tive a impressão que estávamos entrando em um clube esclusivo onde só eram aceitos donos de cachorros. É igual quando alguém fica grávida e fala sem parar em crianças, ou quem frequenta clube de apaixonados por Porsche, onde se respira gasolina por todos os poros.

Sinceramente, fico me perguntando se vamos ficar meio bobos, babando nas gracinhas de um cão. Depois penso melhor e assumo que esta metamorfose já vem acontecendo.

Mais sobre cachorros na Suíça?

Cachorro na Suíça - Parte 1 - Escolher, Analisar, Aprender

Cachorro na Suíça - Parte 2 - O curso Teórico

Suíça com Cachorro - Parte 3 - Escolhendo o nome

Jantar a pé e com cachorro