A distancia que aproxima


Estar longe de pessoas que a gente ama faz parte do pacote de mudar de país. A gente acaba se distanciando do cotidiano das pessoas e perdendo detalhes que provavelmente não perderia se estivesse por perto fisicamente. Até aqui, surpresa nenhuma.

Mas o que eu não sabia e aprendi da minha experiência de mudar, é que a distância pode melhorar sim a qualidade do contato.

Quando estamos consumidos por uma rotina maluca, somos impedidos de parar para fazer as coisas de corpo e alma. Vamos no impulso, a rapidez que conta, passando em cima de tudo e todos.

No frenesi, quantidade é mais que qualidade, infelizmente!

Lembro que quando morava em São Paulo, na loucura de uma cidade e de uma carreira incessante, não tinha tempo para nada. Quando meu telefone tocava, e era algum assunto pessoal, não me dava ao direito de parar e desacelerar cinco minutos para poder conversar como se deve conversar. Era sempre rapido, na pressão de saber o que a pessoa do outro lado da linha queria. Hoje sei que pessoas ligam sem querer nada, só querendo saber da gente. Isso eu não entendia, ou não me permitia.

Com o passar do tempo o telefone passou a tocar menos para assuntos pessoas. Claro, ação tem reação. Estava perto mas tão longe! E boba, por não ser disponível, perdi conversas boas, perdi bons papos...

Quando optei por qualidade de vida e não mais por uma rotina enlouquecedora, mudei radicalmente de vida e desacelerei.

Daqui da Suíça notei que eu, anteriormente indisponível, tornei-me a pessoa que estava do outro lado do meu telefone, aquela que queria conversar sobre nada, simplesmente para saber como a vida de pessoas que prezo anda.

Conheço pessoas que têm o talento de parar o mundo para dar atenção a alguém. É um talento que sempre silenciosamente invejei. Tão gostoso falar com uma pessoa que sabe fazer com que a gente se sinta querida, importante, escutada. Tenho procurado exercitar a arte de parar e ouvir, buscando oferecer esta sensação simples e maravilhosa aos outros.

Hoje, quando paro para ligar para alguém, procuro fazer de corpo e alma. E isso sim melhora a qualidade das conversas, dos contatos. Aproxima, independentemente da distancia.

No telefone percebo pelo tom de voz o que se passa. Reconheço angustias, em pausas longas. Vejo sorriso, quando ele contece do outro lado do oceano. Sinto cheiros familiares. Meus sentidos treinados e agora aguçados indicam disposição, desânimo, motivação ou depressão. Eles me levam para perto, independentemente de onde eu esteja.

Entendo que pessoas queridas optem, ou mesmo nem reflitam, sobre o fato de viverem ocupadas,naquele pique enlouquecedor que as cidades brasileiras impõem. Destas pessoas infelizmente me distanciei, pelo ritmo alucinante e não pela separação de um oceano. Quem sabe um dia farão o mesmo tipo de questionamento que fiz.

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