Show de horror


Os slogans que afirmavam que o Brasil é o País do futuro e que Deus é Brasileiro atrapalharam, ao invés de ajudar.

Fomos programados para acreditar que dias melhores virão, independentemente de esforços, privações e trabalho estruturado. Esta confiança excessiva está nos matando aos poucos. Viramos expectadores de uma história de autodestruição.

“Vai melhorar”, aceitamos.

Nossos políticos se preocupam somente com eles mesmos. Não se fala em pegar nas rédeas, assumir responsabilidades, desenhar estratégias, investir e trabalhar duro para conquistar o tal famoso futuro dourado que a história nos prometeu. O negócio é se garantir, cobrir seu lado.

Realidade é que vivemos a pior crise de nossa história.

Tudo colapsou ao mesmo tempo: economia, política, credibilidade internacional, valores éticos, moral, corrupção, violência, segurança, inflação, desemprego, impunidade.

E pior, o mundo nos assiste cair, de camarote.

Ler notícias virou um ato de horror. Quando o Brasil aparece em notícias, lá vem bomba.

Abro minha internet de manhã receosa. Ler sobre violencia, assalto, desemprego e assistir ao ódio entre amigos virou rotina. Antigamente distantes, estes problemas insistem em nos cercar mais e mais.

De longe, percebo uma inversão de valores. Exceção é ter segurança. Virtude é não ser corrupto. Quando não se tira vantagem se obtém respeito. Tudo errado. Inversão de valores bastante perigosa.

Percebo muros cada vez mais altos, pessoas assustadas, trabalhadores exaustos, idosos desrespeitados. E conformismo. “Sempre foi assim, está igual”.

“Sorte sua de viver em um país com segurança.”

Vivendo na Suíça aprendi que o normal é andar em segurança a noite, em ruas escuras, sem medo. Anormal é viver com medo! Pagamos impostos para que sejam revertidos em benefício para a população. Somos sim merecedores do benefício do nosso imposto. Simples assim.

Enquanto se acreditar em passes de mágica, em benef'icios sem trabalho pesado, em jeitinho brasileiro, assistiremos a este ininterrupto espetáculo de horror.