Verão na Suíça, sem fazer nada


Não sei contar quantas vezes ouvi o clássico de Papai: “Não pode dormir em dólar!”. Quando viajávamos enfrentávamos uma maratona pois cada minuto era precioso e caro no exterior. Tínhamos que aproveitar ao máximo!

Morando aqui sou bastante dinâmica. Adoro descobrir cidades, caminhar como turista e circular por todos os lados. Isso é o que me relaxa mentalmente. Preciso fazer algo para relaxar. Meu Suíço já precisa fazer absolutamente nada para relaxar.

E foi o que fizemos neste final de semana. N A D A !

Dormimos até tarde no sábado. Tomamos um café da manhã reforçado e fomos a pé para o lago.

Existe um pedacinho de lago especial em St-Prex, é o Bain de Dames, um deck mais afastado, onde só os locais vão. Era antigamente a praia das mulheres, literalmente. Acho que em um tempo distante existia uma escola feminina e era lá que as meninas iam se banhar, sem meninos. Para lá que fomos.

Encontramos uma amiga do Meu Suíço e acampamos perto dela. Logo estávamos largados no deck quente, protegidos por nossas toalhas.

Entre mergulhos, leitura da Veja no ipad, posts no facebook e papo furado com a tal Suíça, senti passar umas duas horas.

Meu Suíço dormiu. Desligou e nem notou a mulher linda que fazia topless bem do nosso lado. Iniciou o processo de relaxamento rápido, ainda bem!

Entediada, e já quase sem bateria nos brinquedos eletrônicos, convenci que era hora de levantarmos acampamento.

De lá passamos pela grande praça, onde o pessoal fica tomando sol e fazendo churrasco no gramado. Surpresa! Um grupo de circo estava se apresentando em um palco improvisado bem no meio da grama. Com toda a pressa de um sábado cheio de compromissos, estendemos nossas toalhas e nos sentamos para ver o espetáculo.

Crianças gargalhavam. Uma delícia. Os artistas eram divertidos.

A maioria do público arrumou as toalhas de frente para o palco e conciliava o sol, o lago, o churrasco e o espetáculo. Vida dura, realmente!

Quando percebemos que não tínhamos levado dinheiro para oferecer aos artistas quando eles passassem o chapéu, levantamos e continuamos nossa caminhada. Melhor fugir do vexame.

Camuflei meu biquíni com um vestido largo de verão e fui de vespa até a sala de exposição prestigiar uma amiga francesa que faz curso de pintura. Missão cumprida e obrigação ticada da agenda.

Já em casa, me larguei na cadeira do jardim, ainda vestindo roupa de banho. Lia mais sobre os escandalos de corrupção no Brasil. É muito escândalo para um sábado só.

Hora de decidir o que fazer. Jantar fora ou se virar aqui em casa mesmo?

Desta vez fui eu que preferi ficar em casa. Tínhamos algumas coisas na geladeira e poderíamos nos virar. Estava um dia tão lindo que merecia ser admirado.

Colocamos a mesa simples mas bem caprichada no jardim e abrimos um vinho branco de St. Prex.

Entre garfadas e risadas, passamos para o tinto com a mesma calma que grelhavamos legumes e carnes na grelha elétrica de mesa.

Convidamos nosso vizinho italiano, que apareceu do nada em seu jardim, para nos acompanhar em uma taça de tinto. Já escurecia. Larguei eles conversando e fui regar minhas plantas. Estava um forno.

Dia seguinte Meu Suíço desceu para o café da manhã vestindo seu shorts de praia. Repetiríamos o estresse do dia anterior.

Caminhada leve até o Lago.

Para variar, nos espalhamos em outro lugar, onde cachorros são permitidos afinal, nosso Golden estará conosco em breve. Aprovamos o nosso novo ponto.

Largada em nosso novo acampamento repeti meu trabalho: facebook, instagram e livro, tudo entre sonecas e mergulhos.

Assisti, junto com pessoas também enfeitiçadas pelo azul daquele dia, desfiles de barcos, patos, stand up, lanchas e até de gaivotas. Vida difícil a vida na beira do lago.

Esqueci de passar filtro solar. Fiquei um pouco vermelha. Nada traumático.

Voltando para casa passamos pelo posto de gasolina, onde fica a única lojinha que funciona aos domingos. Compramos pão fresquinho para receber nossos amigos franceses, que viriam assistir a final de Euro 2016 conosco.

Rolou churrasco de picanha com uma salada deliciosa que minha amiga trouxe.

A França perdeu o jogo para Portugal. Lamentável, jogaram melhor.

Em casa ninguém ficou arrasado com o jogo. Tínhamos o essencial. Francês não vive sem três coisas: pão, queijo e vinho. Eu entendo. Isso não faltou.

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