Esteriótipo da brasileira

Os estrangeiros em geral gostam da alegria, da espontaneidade e da informalidade do brasileiro. Noto que muita gente tem curiosidade sobre nossa cultura e nossa maneira de ser. Ficam ainda mais curiosos quando nos conhecem e percebem que somos pessoas normais, sem aquela exuberância verde e amarelo, e não necessariamente enquadrada dentro daquele esteriótipo que se fantasia no exterior.

Querendo ou não, o esteriótipo da brasileira é de mulher bonita, fácil, aberta e disponível sexualmente, sensual e divertida. Imaginam logo as mulheres exuberantes sambando sensualmente em roupas minúsculas. São incontáveis as saias justas que brasileiras passam por conta deste esteriótipo. Mas é o que temos, e tem que encarar.

Vivendo aqui tenho oportunidades de explicar melhor nossa cultura. Quando digo que fui criada com regras bastante rígidas, ninguém acredita.

Digo então que no Brasil, na minha época, saíamos da casa dos pais diretamente para a igreja, sem viver a experiência de morar sozinha, ou mesmo junto com o namorado, antes de casar. Me olham com cara de espanto. Pensam que sou mentirosa!

Insisto e conto que eu, diferente das minhas três irmãs fui a única que saiu da casa dos nossos pais para morar sozinha. Lembro deles me questionando “Mas filha, o que está faltando aqui para você querer mudar?”. E eu, já formada, financeiramente independente e trabalhando como uma escrava, apanhei para explicar que não faltava nada, que o problema é que eu tinha demais.

A sensualidade no Brasil, explico aos gringos, é careta. As brasileiras usam biquínis minúsculos porém não fazem tanto topless quanto na Europa.

Conto então a primeira vez que vim para Europa, com 17 anos, em uma excursão daquelas que passam por vários países. Explico que fiquei fascinada em assistir mulheres de todos os tipos físicos fazendo topless na praia. Descrevo o ônibus todo levantando e se pendurando na janela para ver as francesas fazerem o que a nossa cultura brasileira não permitia. Sinceramente, jamais havia visto alguém fazendo topless. Fiquei admirada! Pensava que topless era só para artista, para corpos perfeitos, para celebridades.

Tenho que admitir que ainda tenho muito da caretice brasileira.

Hoje ainda me admiro quando estou no lago e vejo senhoras, velhas mesmo, algumas ainda acima do peso, sem a parte de cima do biquíni. Sei que tiram não para se mostrar. Tiram o top porque é natural para elas tirar, simples assim. Ninguém tem nada a ver com isso. É a cultura daqui. Acho o máximo!

E no lago acontece direto de assistir pessoas que chegam vestidas e trocam de roupa em público, de costas para os banhistas. Quem quiser ver, vê tudo. Quem não quiser, olha para outro lado e não vê. Depois de um banho no lago, tiram novamente as roupas molhadas e vestem suas lingeries, novamente em público, como quem come um cachorro quente. Finalmente vestidas, caminham para suas vidas. Louco, não? Aqui não é...

Lembro da primeira vez que, hospedada na casa de um amigo alemão, fui surpreendida por ele saindo do banheiro, onde tomava uma ducha, vestindo apenas cuecas. Fiquei vermelha, apesar dos meus mais de trinta anos! Depois, comentando com ele, rimos. Sua cueca era maior que muita sunga de banho que já ví nas praias e piscinas brasileiras mas, era cueca, e cueca não se mostra no Brasil. Engraçado não?

Hoje as coisas mudaram. As novas gerações tem experiências diferentes das que tive mas, mesmo assim, fico tranquila em acreditar que não cabemos 100% naquele esteriótipo que ensiste em nos acompanhar.

E eu vou continuar a explicar...