Roger chegou


Quase 8 meses depois de ter recebido como presente de aniversário um “vale cão”, nosso Roger chegou.

Durante a longa espera, pesquisamos muitas raças e finalmente decidimos por um Golden Retriever. Selecionamos uma criadora super tradicional na Suíça Francesa e fomos aceitos e escolhidos por ela. Decidimos o nome dele brincando de homenagear Federer, emplacou e virou inegociavel.

Muramos nosso jardim. Colocamos barreiras nas escadas. Fizemos curso teórico de cães, obrigatório por lei. Aceitamos que ele nos escolhesse.

Visitamos nosso Roger semanalmente, para que ele se acostumasse conosco e nós com ele. Zeramos nossa agenda social durante o mês de outubro, para recebe-lo e poder dar toda a atenção do mundo para nosso pequeno.

E ele chegou dia 30, estrategicamente sexta feira, para podermos passar todo o final de semana nos habituando com ele.

Um cãozinho de 9 semanas equivale a um bebê de 1 ano e meio. Dorme muito. Precisa dormir. Faz besteiras. Pede carinho. Roger é um bebê em um corpo já grande e pesado. 9 quilos. Patas enormes. “Roger será forte”. Olhava orgulhosa a experiente criadora. “Tem porte de campeão”. Com este nome, na Suíça, não poderia ser diferente.

Recebemos uma pasta com todas as informações sobre ele, incluindo fotos dos pais e irmãos. Ele já tem um passaporte suíço, carteira de vacinação, pedigree com a árvore genealógica e dieta resolvida e detalhada para o próximo ano. Planejamento suíço.

Veio também uma coleira vermelha com florzinhas de metal, comidinhas para a primeira semana e uma corda para ele morder enfurecidamente. E a bola de tênis enorme, a que todos brincavam desde pequenininhos, para trazer cheiros e lembranças de toda a família. Quem disse que suíço não pode ser sensível? Recebemos todo carinho e atenção.

E aqui em casa começou o desafio.

Visitas curiosas vieram durante todo o final de semana. Ele é irresistível. Não tem quem não se seduza.

Pequeno, já se instalou na nova casa. Escolheu uma espreguiçadeira como a sua preferida. Se acomoda embaixo da mesa do jantar quando comemos. Carrega seu macaco pra cima e para baixo.

O que não aprendemos a domar ainda é ele latindo alucinadamente quando me aproximo da cozinha. O bichinho come como um animal e late compulsivamente pensando que é comida para ele, sempre!

Em menos de 72 horas virou nossas vidas de ponta cabeça.

Nunca acordamos tão cedo no final de semana como neste. As 10 da manhã já tinha feito tanta coisa que já estava praticamente pronta para almoçar!

Quase enfartei quando ele passou por baixo da cerca, aquela que custou uma fortuna e demorou uma vida para ficar pronta. Nos obrigou a fazer uma nova cerca embaixo da cerca. Ficou um horror, cheia de puxadinhos improvisados. Favelamos a cerca. Mas ficou segura.

Ontem saí a noite e ele se assustou com um carro vindo em nossa direção com os faróis acesos. Não sei como se liberou da coleira e correu em disparada para casa, comigo atrás correndo, gritando independentemente do horário de silêncio das 10 da noite e bloqueando a passagem do carro. Certamente já virei piada na vizinhança.

Meu Suíço colocou um colchão na sala e dormiu ao lado dele as primeiras noites.

Saio de pijamas na rua para Roger fazer xixi as cinco da manhã.

Estamos um caco de tanto cansaço.

Meu Suíço chegou do trabalho às 6 e meia. Nunca chega tão cedo assim. Saudades do Roger? Não, estou pregado! Coitado.

Comemoramos cada xixi e cocô como dois imbecis. A festa é tão grande que o pessoal até pára para saber o que acontece.

Não conseguimos dar uma volta no quarteirão sem que alguém nos pare na rua. “Ele é lindo”! “Que pêlo macio”! “Vai ser grande”! “Que coisa gostosa”. Eu sorrio.

Ontem nossa vizinha de 5 anos pediu para leva-lo pela coleira. Juntaram sete crianças ao redor dele, pobre cão. Hoje ela tocou a campainha e trouxe uma amiguinha da escola para conhece-lo. Avisou que volta mais tarde. Eu adoro. Já temos uma lista de dog sitters.

E ele já sabe quem somos e onde é sua casa. Volta das nossas curtas caminhadas rapidinho e estaciona em frente a nossa porta. Traz do jardim pedras e pedaços de galhos, souvenires de suas explorações. Passo meu dia catando baderna.

E sobrevivi ao meu maior desafio, conseguir pegar os cocôs sem vomitar. Só tive ânsia uma vez. Brava Teca!

Três xixis já escaparam nos tapetes da casa que eu me recuso a tirar do lugar. Temos brinquedos espalhados por todos os cantos na tentativa de evitar mordeções nos móveis.

Já ficou de castigo do lado de fora e nós de dentro, morrendo de rir e com muito dó, fingíamos ignora-lo. Os vidros, antes limpos, agora têm milhões de marcas de patas.

É isso. Roger nos invadiu.

Invadiu a casa, nosso silêncio, nosso sono e nossos corações.

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