Experiências únicas na Suíça. A festa veio até nós.


Um domingo de setembro fez um sol delicioso. Estava muito mais quente que esperado para esta época do ano. Nos mandamos para o lago, buscando tranquilidade, sem fazer nada de nada. Afinal, seria este o último banho no lago antes do inverno chegar?

Estávamos lá, relaxando entre mergulhos e leitura de jornal, quando a nossa minúscula praia “Bain de Dames”, começou a ser invadida.

Nota: eu sempre achei estranho chamar borda de lago de praia mas, confesso, já entrei na onda.

Inicialmente achei que eram turistas descobrindo o centro antigo de Saint Prex, um charme medieval que aos poucos começa a atrair mais e mais turistas buscando experiências únicas nas pequenas cidades suíças.

Notando que eles não iam embora, ao contrário, chegavam e se estabeleciam na entrada da nossa praia, onde improvisaram um pequeno bufet com alguns salgadinhos e drins. Fiquei curiosa, larguei o ipad e me liguei no papo excitado dos que olhavam insistentemente para o lago.

Uma lancha se aproximava muito vagarosamente. Evidente que existia uma interação com o público que se animava cada vez mais com a aproximação da tal lancha.

Pufff. O barulho seco de uma garrafa de champagne se abrindo.

Tem coisa, pensei.

Um drone roubava minha atenção, pois vinha vagarosamente em nossa direção. Fui então surpreendida pela chegada inesperada de um nadador vestindo roupas de mergulho dando suas últimas braçadas e caminhando no raso do lago até a praia. Foi saudado calorosamente por todos.

Aplausos.

Mais champagne.

Beijos e brindes.

E nós lá, sem entender patavinas.

Atrás das nossas toalhas estendidas fez-se um círculo e o povo começou a discursar, agradecendo fulano, beltrano, a coragem, a disposição e assim vai.

Mais champagne.

Alguns se desculpavam. Era evidente que a calmaria de um domingo na praia aquela altura tinha ido para o escambau.

Uma senhora veio delicadamente nos oferecer uma taça de champagne. Agradecemos. Ela então nos revelou o mistério da celebração.

Para ajudar a ONG Suíça IFDP, que trabalha para diminuir a pobreza na Índia e no Nepal, quatro jovens empreendedores criaram um crowdfunding para levantar CHF 4,000, valor necessário para que um projeto atue em 10 cidades e 7 centros urbanos pobres, beneficiando e melhorando a vida de muitas pessoas.

Para chamar a atenção a este projeto Pablo, um dos quatro jovens empreendedores, resolveu atravessar o maior lago da Europa, o Lago Genebra, partindo da cidade de Evian e chegando em St Prex, exatamente onde eu estava, calma e discreta, tomando meu sol.

Todos os 10 kms da travessia entre a borda francesa e suíça foram monitorados e transmitidos online, daí a lancha e o drone, que acompanharam toda a história.

E nós lá, de chapéu, aplaudindo também.

Coisas da Suíça.

Um dia nunca é igual ao outro.