Democracia na Suíça se aprende com o vizinho


Moro em uma villa com cinco casas geminadas. A nossa fica em uma extremidade, do lado direito, o que nos beneficia com mais sol e um pedaço maior de jardim.

Os proprietários são vizinhos desde que a villa foi construída, há 12 anos. Algumas mudanças aconteceram nestes anos, como dois divórcios, crianças virando adolescentes, dois nascimentos, a chegada da mãe de uma moradora chinesa e a minha chegada, há três anos atrás.

A villa retrata bem a diversidade da sociedade suíça. Dos 10 adultos, somente 3 são realmente suíços, Meu Suíço, que veio da suíça alemã, e outros dois vizinhos, originários da suíça-francesa. Outros 5 são estrangeiros naturalizados Suíços, vindos da Itália, Haiti, China e Irã, porém de origem armênia. Duas moradoras são estrangeiras, eu brasileira e outra, da China.

A vila tem três quatro animais, dois gatos e dois cachorros, incluindo meu Roger. Alimento o gato do vizinho quando eles viajam, mesmo odiando gatos.

Somos frequentemente convidados para festas na vizinhança e convidamos também nossos vizinhos para festas e jantares aqui em casa.

Todas as casas são independentes porém algumas coisas, obrigatórias pela legislação ou mesmo por praticidade, são compartilhadas. Não temos um gerente, resolvemos tudo através de conversas.

O diálogo é fácil e democrático por aqui, apensar das pessoas terem prioridades, gostos e educações bastante diferentes, algo normal com tamanha diversidade.

Independentemente da boa relação, guardamos as diferenças ideológicas e cultivamos o respeito pela privacidade de cada um. Algo bem Suíço.

Apesar dos jardins serem grudados, separados por uma divisória que permite detectar movimento do outro lado, ninguém conversa através das separações do jardim. Acho fantástico. Se estou no meu jardim claro que não quero ser invadida por ninguém. Se quiser falar comigo, toque a campainha, como qualquer visitante. E é assim aqui.

O silêncio dos domingos é guardado por todos. Ninguém ousa cortar gramas aos domingos. Não existe abuso de amizade.

As diferenças nos estilos e nas tomadas de decisões, e existem algumas, são conversadas em volta de uma mesa, não raramente tomando um chasselas, o vinho branco da região. Desconfio que o chasselas faça milagres!

E é assim, da villa para a cidade, para o cantão e para a federação. Muita diversidade, muito diálogo e muito respeito. Assim é a democracia daqui. Funciona, garanto!