Minhas caminhadas com Roger


Não é novidade que eu e Meu Suíço adoramos caminhar. Temos sangue de andarilho. Andamos por horas, muitas vezes sem conversar, só usufruindo do ar puro, da beleza da região e das idéias, que fluem loucamente quando caminhamos.

Para mim, não existe maior fonte de inspiração que caminhar.

Com Roger tenho caminhado mais e menos. Saio com maior frequência, alguns dias até quatro vezes por dia, mas em pequenos percursos, nada muito longo. Seus ossinhos ainda não são fortes para caminhar por muito tempo. É compreensível, tem menos de quatro meses e já pesa mais de 16 kgs. Precisa ficar forte e desenvolver musculatura antes de encarar maratonas.

Lí na internet que a quantidade correta de exercícios para um filhote é 5 minutos por mês de idade. Acho pouco. Hoje, com 4 meses incompletos ele deveria, segundo este site, andar somente 20 minutos. Muito pouco. Tenho feito caminhadas lentas, deixando ele parar para sentir todos os cheiros do universo, mas de mais ou menos 30 minutos. As vezes até mais. Ele andar com o focinho quase arrastando no chão, normal para os cães retrievers, e na cidade, consegue parar a cada metro. Tem que ter um pouco de paciência.

Não vejo a hora que ele aprenda a caminhar sem coleira, mas para isso, precisa atender às nossas ordens. É o meu sonho de consumo atual e estamos caminhando bem neste sentido. Ele precisa aprender a retornar, para evitar fugas, além de responder a chamados para que não imponha medo aos pedestres e perigo a ele mesmo. Mas, por segurança, o acerto precisa ser de 100%, 99% não é suficiente.

Tenho aproveitado as caminhadas para treina-lo.

Na Suíça os donos de filhotes são obrigados por lei a seguir pelo menos quatro horas de curso prático em um espaço de um ano. Já tivemos duas aula com um instrutor francês que tem 50 anos de experiência na educação de cachorros. Aprendemos algumas dicas preciosas para ensina-lo.

Uma boa dica que recebemos foi de leva-lo cada vez a um lugar diferente, para que ele não se familiarize e ligue o piloto automático. Quanto mais diferente for o local, mais atento ele ficará não só ao lugar, mas também às instruções recebidas. Acho que faz sentido.

E para mim tem sido um prazer imenso. Tenho explorado como nunca a região e descoberto lugares incríveis pertíssimo de casa.

Vou bastante às florestas, que além de serem maravilhosas no outono, têm mais cheiros e surpresas que descampados. Além de que, nos descampados, Roger corre em uma reta e nas florestas, em círculos. Acho mais fácil de controlar.

Incrível que em um raio de três quilômetros tenho uma diversidade imensa de florestas e áreas rurais para circular. Sim, porque aqui pode-se entrar nas propriedades agrícolas, desde que se respeite as plantações, animais e a área. Cada caminhada tem sido diferente do outra. Novidade para ele e também para mim.

Tenho descoberto pequenos riachos e florestas com uma diversidade de vegetação e cores, sentindo cheiros maravilhosos, localizando cabanas no meio do mato. Já cruzei até com uma placa de proibido nadar nu, em uma floresta perto do lago, conhecida área de nudismo.

Saímos uma vez por dia de carro. Vou caçando lugares com cara de legais para andar. Quando encontro algo interessante, descemos e vamos explorar, ele farejando e eu desfrutando da novidade. Quando acho que estamos seguros, sem carros e ninguém por perto, eu o solto falando o comando “Va jouer!”, ou “Vá brincar!” em francês, comando que ele já começa a associar a estar livre, sem coleira.

As vezes ele não se comporta e me prega uns sustos, como atravessar uma cerca de arames farpados e sumir do outro lado. A instrução neste caso é dar o comando “Retour Roger”, ou "Retornar Roger" em francês, com um sorriso no rosto e voz doce. Importante sempre dar o comando o seduzindo e não o reprimindo. Se ele não vier, tenho que sair andando, sem olhar para trás. Haja coração. Já tive que fazer isso algumas vezes e ele sempre acaba vindo, ainda bem!

Depois das nossas caminhadas ele fica tão cansado que dorme. Acho que gasta as energias que gastaria mordendo móveis e roupas se não andasse por ai. Escuto muitas reclamações de filhotes de Golden Retrievers destruidores, desconfio que eles não gastem muito de sua infinita energia.

Hoje fomos a uma nova floresta. Andamos por uns 30 minutos, ele o tempo todo solto. Em nenhum momento ele se distanciou muito de mim, pelo contrário, andamos juntos. Transbordei de felicidade. Pequena vitória. Caminhando para a grande conquista!

Não sei quem tem aproveitado mais estas nossas caminhadas, ele ou eu.