Audrey Hepburn e a Suíça


Não tem quem não a admire, não só por sua beleza, talento e estilo mas também por suas posturas firmes e éticas.

Nascida em Bruxelas, e com nacionalidade britânica, Audrey Hepburn morreu cedo, com apenas 63 anos. Viveu porém uma vida repleta de experiências.

Estudou em um internato inglês. Mudou-se para a Holanda, onde sofreu privações na segunda guerra. Participou ativamente da resistência holandesa. Dançou, cantou e atuou. Recebeu dois Óscars e diversos outros reconhecimentos por suas atuações em muitos filmes. Casou-se duas vezes. Após inúmeros abortos, teve dois filhos. Viveu e visitou muitos país. Aprendeu fluentemente mais de cinco idiomas. Conheceu pessoas influentes. Influenciou.

Nos seus últimos anos de vida, investiu seu tempo e talento para influenciar as causas humanitárias, como embaixadora da UNICEF, a quem sentia-se grata por salva-la no final da segunda guerra.

Morou em Tolochenaz, na Suíça francesa, durante 30 anos. Lá morreu e foi enterrada.

A pequena cidade ainda rende tributos à sua eterna habitante. Existe uma pequena praça com seu nome, onde se encontra um busto de bronze. O ponto de ônibus recebeu seu nome e sua casa, onde dedicava-se apaixonadamente à jardinagem, guarda uma placa destacando sua vida lá.

A pacata cidade de 1700 habitantes lembra da célebre moradora com carinho. Reconhecida como uma pessoa simples e acessível, Audrey cativou seus vizinhos, que não se incomodam com as constantes visitas de fãs e turistas.

Estive lá em um domingo de inverno.

Na praça Audrey Hupburn cruzei com alguns japoneses que fotografavam enlouquecidamente tudo o que encontravam pela frente. Perguntei a eles qual era a casa da Audrey. Entre cliques insistentes, mostraram uma casa, onde quase invadiam o jardim.

Desconfiei. A casa que eu buscava era diferente. Tinha feito minha lição de casa e visto algumas fotos na internet.

Caminhei então explorando a minúscula cidade. Encontrei casas lindas. Audrey escolheu uma cidade encantadora para viver.

Abordei então em francês um casal local, perguntando sobre Audrey. Foram super simpáticos e indicaram a casa, localizada em uma rua que saia da praça com seu nome. Nada a ver com a casa que os japoneses idolatravam.

Na verdadeira casa de Audrey encontrei a famosa placa na entrada da propriedade, La Paisible. Também no muro estava a menção a sua celebre residente. Infelizmente a enorme casa foi vendida e não mais está aberta para visitantes.

De lá fomos ao cemitério, que fica um pouco mais afastado do centro.

Bonito ver que naquele dia deixaram um buque de flores para ela. Realmente tem muita gente generosa no mundo, ainda bem.

Em seu túmulo, entre flores, tinha um chocolatinho e duas lindas fotos da atriz. Dizem que, mesmo depois de mais de vinte anos de sua morte, sempre tem diversos fãs fazendo tributos a ela.

Na saída do cemitério voltei para a pequena cidade para procurar pelos japoneses mas acho que aquela altura já tinham ido embora. Melhor assim. Espero que nunca googlem a casa de Audrey e descubram que na Suíça fizeram tributo no endereço errado.

Bom, o que vale é a intenção.